DIOCESE
Realidade Social
 
Realidade Social

Nossa Diocese localizada ao Norte do Estado de Santa Catarina abrangendo o planalto, litoral e um dos maiores pólos industriais. Neste contexto predomina uma diversidade cultural significativa, onde temos histórias de povos pré-coloniais que aqui viviam há mais de 4 mil anos antes da chegada dos europeus, e de etnias africanas, italianas, suíças, guarani, alemãs e outras compondo um cenário de saberes, fazeres, diversidades e desigualdades sociais. Nestas trajetórias de ocupação e vivência há legados e heranças culturais que teimam em continuar suas memórias. Vale destacar a presença das muitas festas, das celebrações das comunidades onde se mesclam saberes religiosos e saberes populares, ritos, músicas, cantos, orações que vão compondo a mística de cada povo, de cada lugar. Temos para a nossa região algumas destas celebrações populares que alcançaram públicos para além de sua comunidade como a “Festa do Divino” em Barra Velha e do “Senhor Bom Jesus” em Araquari/SC.

Nesta região, cada vez mais vêm se ampliando espaços de formação escolar, escolas públicas, centros culturais, universidades públicas e privadas, pontos de cultura, centros comunitários, parques ecológicos, parques públicos, e todas estas instituições independente dos princípios filosóficos têm possibilitado a sociedade acessos e formação diversificada a diferentes realidades sócio-culturais. Estas benfeitorias são frutos da caminhada do povo, das lutas e contribuições que cada comunidade e cidadão vêm oferecendo a vida pública, comunitária e espiritual.

Atenta para os novos desafios sócio-culturais instalados em nosso meio, a diocese busca através dos seus trabalhos contemplar todas as realidades inseridas neste contexto histórico através de suas ações concretizadas nas escolas de formação, grupos bíblicos de reflexão, catequese, serviços, pastorais e movimentos.

Contudo a Diocese busca compreender e participar na reconstrução deste universo da nossa expressão cultural, na relação ecumênica e o diálogo inter-religioso, na relação com os movimentos sociais, nas redes virtuais e na formação e renovação de assessorias para os diversos trabalhos a fim de celebrar a missão no segmento de Jesus inserido nas diferentes manifestações populares.

Dentro deste contexto é importante destacar que vivemos um tempo de grandes mudanças, há uma crescente fragmentação sócio-cultural, denominada crise do projeto civilizacional moderno, “razão e ciência” se impõe como realidades absolutas, sem espaço para a fé, sem abertura para experiências com Deus, para a transcendência. Gera-se assim, uma crise profunda de sentido e se busca refúgio no emocionalismo e no tradicionalismo.

Aspectos Sócio-Ambientais

Não só no Brasil, como em muitos outros países, o modo de produção capitalista do século XX e XXI que com nuances diferentes de urbanização provocou o esvaziamento das áreas rurais resultando não só em graves problemas sociais e culturais para o meio rural como também para a cidade. Ao viverem um momento de transição, os trabalhadores acabavam por não usufruir de “novos direitos” nem eram desobrigados de “deveres antigos”. O campo passou a depender cada vez mais do Estado/Governo para poder manter-se produtivo.

Todavia os recursos para manter as atividades da agricultura familiar são insuficientes para assegurar a produção e a qualidade de vida da população do campo que vivencia ao longo dos tempos, dolorosa escassez dos mais elementares recursos de subsistência.

O meio rural especialmente no século XX passou a ser considerado e visto com área marginalizada, uma vez que o discurso clássico da “modernidade” apoiou-se no modelo industrial, privilegiando a cidade como ideal de desenvolvimento, num processo hierarquizador desses lugares, onde, por um lado, o campo passou a exercer o papel de saneador das necessidades urbanas (fornecimento de matéria-prima, alimentos, água potável, reservas de valores, especulação imobiliária, entre outros exemplos).

Tal estratégia resultou no retardamento – e em alguns casos, até mesmo na atrofia - do movimento na construção e promoção do desenvolvimento social e da conquista de uma melhor qualidade de vida. Por outro lado, ao campo foi reservado, neste processo, à função de consumir os serviços e produtos oriundos das cidades, num comportamento eminente passivo diante do projeto neoliberal.

Para o Estado de Santa Catarina não é diferente este contexto. Temos mais de cem municípios pequenos com um índice de êxodo rural acentuado. Centros urbanos com um contingente populacional sem moradia digna e acesso aos bens materiais mínimos a sobrevivência humana. Tal situação como visto tem sido gerada a partir deste modelo de desenvolvimento econômico proposto pelos ideários do pensamento urbano industrial. O que se observa, é que estas intervenções econômicas são postas por aqueles que detém poder econômico e político e de um modo geral a sociedade acaba absorvendo como se fosse algo natural, dado pela caminhada na vida.

Todavia sabe-se que necessitamos urgentemente pensar em que sociedade planetária desejamos viver, e se os modelos econômicos postos por estes até então são capazes de gerar bem estar, vida digna para todos os seres humanos. Pois a vida, o planeta como algo de responsabilidade de todos e para todos, é um direito humano que não podemos negligenciar.

Quando olhamos para as nossas regiões também nos damos conta que os grandes empreendimentos industriais contribuem para que a situação de poluição nos rios, no sol e no ar venha crescendo a cada dia. O uso inadequado dos recursos naturais atinge o meio ambiente de forma agressiva. São mais de 640 km2 cobertos pela Floresta Atlântica e mais de 40 km2 cobertos por manguezais.

O que temos feito com estes verdadeiros santuários da natureza? São biomas importantes, especialmente pela biodiversidade, embasada em critérios geológicos, climáticos e hidrográficos. Locais que geram vidas, criam ecossistemas e permitem que nós vivamos. Nossos rios e praias estão cada vez mais poluídos, onerando cada vez mais o processo de tratamento. As florestas e a fauna gritam por socorro. A devastação e o uso inadequado do solo vêm ocorrendo mesmo com apoio na legislação ambiental existentes na região.

Nesse sentido, há que se considerar que o progresso não é igual a desenvolvimento, uma vez que o desenvolvimento sustentável supõe que todas as pessoas que habitam um mesmo espaço, um território, tenham vida digna. Na promoção da vida, cuidando do planeta é preciso conhecer o chão, o nosso habitat para desenvolver uma consciência ambiental comprometida com o meio ambiente.

Vale ressaltar que necessitamos mudar rapidamente a lógica de que a moeda da cidadania passa a ser o cartão de crédito, porém, cidadania é vivida por aquele que mora na cidade. Quem vive nas áreas rurais ou vive do campo, pouco pode ter acesso aos bens produzidos e ofertados na polis, portanto, a cidadania é restrita.

Assim o que desejamos é a promoção de debates e a formação das comunidades para sua inserção nas políticas públicas de qualidade de vida. Cada vez mais o papel e os desafios para a formação comunitária apontam para a necessidade de se discutir e interferir no sistema capitalista que tem ao longo dos tempos gerado uma sociedade desigual, nas sustentabilidades sociais, políticas, culturais e espirituais da vida humana.

A Diocese de Joinville dividida em cinco comarcas vem realizando seu trabalho pastoral como sinal de vitalidade da Igreja comprometida com uma sociedade justa e solidária no contexto sócio-economico de seu povo.

Principais atividades econômica das cidades onde estão sediadas as comarcas:

Joinville norte/sul: concentra-se nas indústrias de grande porte na área de compressores, eletrodomésticos, automotiva, plásticos, têxtil, metal-mecânico, agricultura e comércio.

São Bento do Sul: Mobiliário, higiene e limpeza, metalúrgica, fiação e tecelagem, cerâmica, plástico e comércio, agricultura.

Mafra: Concentra-se praticamente em três atividades: fabricação de artefatos diversos de madeira, exceto móveis; fabricação de artefatos diversos de borracha; fabricação de azulejos e pisos.

Jaraguá do Sul: Um dos principais parques fabris de Santa Catarina, grande produtor de malhas e sede de importantes indústrias metal-mecânica e alimentícias. Jaraguá do Sul também é rica em cultura e belezas naturais. É sede de uma das únicas fábricas de parapente das Américas.

Situação Política

Compreendendo a “Política” como “ação pelo bem comum”, podemos afirmar que Fé e Política não se separam. O Documento de Puebla nos ensina que “não existe fé autêntica sem um consequente compromisso social.” O Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica “Christifideles Laici”, sobre os leigos nos exorta: “Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido de servir a pessoa e a sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum” (cf. CL, 42).

No Documento “Catequese Renovada”, nossos pastores também insistem: “os cristãos, como cidadãos do mundo, têm uma missão irrenunciável nas diversas instituições do mundo social e político, para que aí se realize o Reino de Deus” (CNBB 26, 300). Para nós cristãos, a ação política deve ser consequência de uma fé consciente e madura.

O Papa Paulo VI foi mais longe, afirmando que “a Política é a mais perfeita forma de vivermos o Mandamento do Amor”. Também em Puebla aprendemos: “A Política é uma mediação privilegiada da caridade e a fé cristã a valoriza e a tem em alta estima”. O Documento “Apostolicam Actuositatem”, do Concílio Ecumênico Vaticano II diz: “Os católicos versados em política, e devidamente firmes na fé e na doutrina cristã, não recusem cargos públicos, se puderem por uma digna administração prover o bem comum e ao mesmo tempo abrir caminho para o Evangelho” (AA 14). Podemos, então, afirmar que “o cristão na política abre caminho para o Evangelho”. A Boa Nova de Jesus, o seu Projeto de vida e vida em abundância, avança quando a política é séria e comprometida com o bem. Longe de nos omitir ou evitar a política, temos obrigação de fé de assumi-la, colocando-a a serviço do bem e da construção de uma sociedade justa e solidária.

No entanto, a questão política é tratada com certa reserva por algumas pessoas. A partir de uma série de eventos onde imperam os desmandos, clientelismos, corrupção, há um descrédito corrente e a população, em geral, teme, inclusive, discutir sobre o assunto. Os fatos têm demonstrado que “a maneira como se entende e como se exerce o poder”, está na base da crise em que vivemos. No exercício do poder político é fundamental o espírito de serviço, único capaz de, ao lado da necessária competência e eficiência, tornar “transparente” ou “limpa” a atividade política, como aliás o povo justamente exige.

Em virtude da falta de amadurecimento político, as entidades e grupos organizados oferecem muito pouco apoio para as pessoas do seu meio que resolvam assumir a condição de disputar uma eleição, motivo esse que faz com que os seus representantes fiquem à mercê de um sistema que corrompe e desvirtua o verdadeiro sentido da política. Podemos observar muitos líderes comunitários que assumem os cargos e esquecem suas origens, não conseguindo serem fiéis às propostas de uma sociedade justa, igualitária e solidária.

A questão social é sempre colocada em segundo plano porque requer profundo conhecimento de causa e também um desapego a tudo o que move o mundo da política: o ter, o ser e o poder.

Vemos muitas ações da Igreja rumo a uma maior conscientização política por parte da população. Ações contra a corrupção serem mais constantes e isso, via de regra, ajuda na conscientização para que possamos fazer da política uma ferramenta para instituir um novo modelo de sociedade. Vemos que há uma grande sensibilização para que as pessoas façam uma análise mais criteriosa ao votar e ser votada.

Temos experiências de vários movimentos populares dentro da sociedade civil: as associações de moradores, os grupos de cooperação, as ONGs entre outros que fazem um trabalho interessante em prol das comunidades e população.

Há necessidade de maior participação da população nos fóruns, conselhos e associações para que as políticas públicas possam ser voltadas para aqueles e aquelas que mais necessitam. Havendo necessidade, de um trabalho de formação das pessoas sobre a importância de sua participação.

Precisamos de políticas públicas voltadas para nossa infância e juventude, para o idoso, para as mulheres. Do ponto de vista das prioridades básicas, a saúde, embora o SUS seja um sistema acessível a boa parte da população, não tem apresentado mudanças, no sentido de tornar-se acessível e de qualidade, e a educação segue o mesmo descaso de governos passados, para os quais nunca foi prioridade. Em ambos os casos, os profissionais precisam apelar para mobilizações de paralisação dos serviços, para se fazerem ouvir em busca do piso salarial mínimo, decente.

Com a lei 9840 de iniciativa popular, percebe-se algum avanço, uma vez que ela ofereceu mudanças no processo eleitoral, criando consciência política, porém não eliminou o clientelismo da compra e venda de votos.

 
 
 
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