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Palavra do Bispo
 
19.Nov - A vocação dos fiéis leigos na Igreja do Senhor
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Neste mês de novembro, na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, encerramos o frutífero Ano do Laicato, realizado ao longo do ano litúrgico de 2018. Comemoramos os 30 anos do Sínodo Ordinário sobre os Leigos (1987) e da Exortação Apostólica Christifideles Laici, de São João Paulo II, sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo (1988). Teve como eixo central a presença e a atuação dos cristãos leigos como “ramos, sal, luz e fermento” na Igreja e na Sociedade. 


Recordo uma viagem apostólica que São João Paulo II realizou em Açores, arquipélago transcontinental e território autónomo da República Portuguesa. Na ocasião, fez uma referência às vocações leigas que considero clássica, pois ela sintetiza de modo admirável a vida e a missão dos fiéis leigos na Igreja Católica.


O Papa disse: “Queridos fiéis leigos, tendes uma vocação própria que não se esgota no cumprimento das obrigações mínimas de batizados. Esta é a vossa missão de fiéis leigos: ser o sal, a luz, a alma do mundo. Sois pais e mães de família, operários, professores, estudantes, lavradores, pescadores, ou empregados em qualquer outra profissão. Assim vivem e trabalham todos os demais homens e mulheres; só que, ao realizardes a vossa missão, procurais dar-lhe uma abertura para a eternidade, cumprir nela a vontade de Deus, fazê-la levedar segundo o Reino dos Céus, e colocá-la a serviço do homem a fim de conseguir chegar à plenitude que vem de Cristo, superando a ruptura entre o Evangelho e a vida”.


Aparece muito claramente nas palavras do Papa que os homens e mulheres inseridos na sociedade, que eles próprios integram e constroem, são chamados por Deus, no lugar que no mundo ocupam, a viverem todas as consequências de sua consagração batismal. A coerência da vocação e da missão dos leigos pressupõe a santidade pessoal como condição prioritária. O chamamento à santidade vale para todas as fases da vida: na primavera da juventude, no pleno verão da idade madura, no outono e no inverno da velhice e, enfim, na hora da morte e mesmo para além da morte, na derradeira purificação predisposta pelo Amor misericordioso de Deus.


Três âmbitos de vida dos leigos merecem especial consideração e necessitam da influência positiva da santidade e do consequente apostolado dos fiéis leigos: a família, o trabalho e a ação sócio-política. A família está em primeiríssimo lugar, pois do fortalecimento da família, conforme projeto de Deus, depende o bem das pessoas, a ordem social e a vitalidade da Igreja. Quem recebeu o dom da vocação matrimonial, é chamado a renová-lo cada dia com a graça divina, fruto do sacramento do matrimônio. Os filhos são o maior tesouro dos pais e a correta educação deles é o primeiro apostolado a ser realizado.


O trabalho, além de proporcionar meios para a manutenção familiar, é fonte de santidade e meio privilegiado de apostolado. Cabe aos fiéis leigos “olhar para as atividades da vida cotidiana como uma ocasião de união com Deus e de cumprimento de sua vontade, e também como serviço aos demais, levando-os à comunhão com Deus em Cristo” (Christifideles Laici, 17). O pronunciamento citado afirma que o trabalho, para ser santificante e santificador, deve ser feito com competência profissional, com honestidade humana e espírito cristão.


É integrante da vida do fiel leigo a ação sócio-política. “Na fidelidade ao objetivo de organizar com princípios cristãos a ordem temporal para servir às pessoas e à sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na "política", ou seja, na múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum” (Christifideles Laici, 42). Esta função é própria, específica e característica dos fiéis leigos. Em 2008, em Roma, na Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para os fiéis leigos, Bento XVI afirmou: “Insisto na necessidade e na urgência da formação evangélica e do acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos comprometidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham rigor moral, capacidade de juízo cultural, competência profissional e paixão de serviço pelo bem comum”. 


O Papa Francisco reconhece que “cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com um numeroso laicato, dotado de um arraigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração e da fé” (EG, n. 102). 


Inegavelmente os nossos leigos cristãos são, de fato, uma das maiores esperanças para o presente e para o futuro da evangelização que o Senhor nos pede, a fim de que haja uma ampla e profunda ação visando a correta ordenação das realidades temporais. Parabéns aos nossos fiéis leigos e leigas, que cooperam eficazmente no anúncio do evangelho.


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